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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Atriz iraniana condenada a receber 90 chicotadas

Marzieh Vafahmer (foto) participou seu usar o véu obrigatório do filme "My Tehran for Sale"  (Minha Teerã à venda), que critica as políticas linha-dura da república islâmica radical.

A atriz iraniana  Marzieh Vafahmer foi condenada a sofrer um ano de prisão e a sofrer o suplício de 90 chicotadas por participar de um filme. Os produtores australianos de um filme crítico ao governo do Irã expressaram ontem (12) sua consternação.
A sentença contra Marzieh Vafahmer foi divulgada ontem no saite Kalameh.com , opositor do regime, mas ainda não foi confirmada por uma declaração oficial do governo. O saite afirma que Marzieh está presa dede julho, e que seus advogados recorreram da sentença.
"My Tehran for Sale" (Minha Teerã à venda) foi filmado na capital iraniana e critica as políticas linha-dura da república islâmica radical, ao contar a história de uma jovem atriz proibida de trabalhar no palco pelas autoridades. A produção flagra a vida dupla de uma geração de jovens iranianos, que obedecem às imposições do regime mas criam uma cultura subversiva de inspiração ocidental em festas e encontros clandestinos.
O filme foi produzido pela empresa australiana Cyan Films e dirigido pelo também poeta Granaz Moussavi, iraniano de nascimento, mas que obteve a cidadania  australiana.  Em 2009, o filme estreou no Festival de Cinema de Adelaide, na Austrália, mas se encontra proibido no Irã.
Ontem os produtores Julie Ryan e Kate Croser disseram que estavam "profundamente tristes e
chocados" pelas notícias sobre a sentença.
Embora desconheçam as acusações específicas contra a atriz, os produtores acreditam que estão relacionadas às cenas em que Marzieh aparece sem o véu – obrigatório no país. De acordo com os produtores, a Cyan Films trabalhou em colaboração com uma produtora iraniana e obteve todas as autorizações necessárias do governo.
Sentenças de flagelação são comuns no Irã, mas muitas não chegam a ser executadas.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Maria do Rosário reforça apoio de Dilma à causa de ativista iraniana

Shirin Ebadi
Diante da repercussão do fato de a presidente Dilma Rousseff não receber nesta quinta-feira (9) a ativista iraniana Shirin Ebadi, 63, a ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) enviou carta à iraniana para reforçar o apoio do Brasil à causa de Ebadi, ganhadora do Nobel da Paz em 2003.
"Aproveito para manifestar o perene compromisso do Estado brasileiro com a defesa e proteção da vida humana (...) bem como afirmar que nesta batalha por um mundo mais justo, sem sombra de dúvidas, a senhora, a presidenta Dilma e o Estado brasileiro se encontram no mesmo lado, no lado dos direitos humanos", afirmou Rosário em carta lida pelo deputado Roberto de Lucena (PV-SP), autor do pedido da audiência.
A ministra explicou que cumpre agenda no norte do país, e por isso não compareceu à audiência. Mas afirmou estar disposta a "regressar de pronto da região amazônica a fim de encontrá-la". Um almoço com a ministra e com o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, está previsto para o início da próxima semana.
Durante a audiência, Ebadi voltou a lamentar não ter um encontro com a presidente Dilma segundo ela, a intenção seria falar sobre as leis iranianas que restringem os direitos das mulheres e implicam no prejuízo aos direitos humanos. "Eu queria contar para a presidente do Brasil, que felizmente é uma mulher, sobre essas leis. Agora que não foi possível, vocês falem para ela sobre essas leis".
O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, colocou sua agenda à disposição para recebê-la, mas o encontro ainda não está confirmado.

REPÚDIO

Ontem, o líder do PSDB na Câmara, deputado federal Duarte Nogueira (SP) apresentou requerimento no plenário da Câmara dos Deputados para aprovar uma nota de repúdio à presidente Dilma, por não receber a advogada e ativista iraniana.
O texto foi rejeitado com um placar de 293 votos contrários, 60 favoráveis e 8 abstenções.
 
Tirado de: Folha.com

quarta-feira, 30 de março de 2011

Política doméstica poluiu debate sobre direitos humanos

A decisão do governo brasileiro de apoiar o envio de um representante da Comissão de Direitos Humanos da ONU ao Irã produziu uma grande confusão. O ambiente já estava envenenado, mas este é outro assunto. Eu queria voltar à Comissão de Direitos Humanos porque, nesse imbróglio todo, as críticas que mais ouvi foi que ela seria "hipócrita", porque não investiga a situação de direitos humanos das ditaduras árabes, não investiga Israel ou Honduras e, sobretudo, não investiga as violações cometidas pelos americanos.
Não é verdade. Mais uma vez, as pessoas confundem as limitações do Conselho de Segurança e da Assembléia-Geral da ONU, onde os EUA tem poder de veto, com a Comissão de Direitos Humanos, onde não há poder de veto. Na Comissão, discute-se sobre tudo, nenhum país escapa.
Eu mesmo fiz declarações apressadas, mas meu erro não foi defender a Comissão, e sim defendê-la pouco, sem estar embasado em dados mais consistentes. Agora que eu estou pesquisando as atividades e o histórico da CDH da ONU, surpreendo-me em saber que há relatórios sobre Arábia Saudita, inúmeras denúncias contra Israel, relatórios sobre Colômbia, Yemen, Bahrein, Myanmar, o golpe de Estado em Honduras, sobre Costa do Marfim, etc.
Os EUA tem sido alvo de várias missões e relatórios da CDH da ONU. Há um relatório, por exemplo, que denuncia duramente os EUA pelos abusos cometidos no Iraque, com base em documentos vazados pelo Wikileaks.
O Brasil também foi visitado muitas vezes por representantes da CDH, que não pouparam críticas aos problemas encontrados por aqui.
Não são justas, por isso, as acusações de que a CDH seria "hipócrita" ao decidir enviar um representante para checar a situação de direitos humanos no Irã. A CDH tem sido aberta às denúncias de abuso em qualquer país, sem discriminação. Ao votar para o envio de representante ao Irã, o Brasil foi coerente com votações similares referentes a outros países.
Também não é verdade que se trata da "primeira vez" que o Brasil vota contra o Irã. O certo é que essa é a primeira votação do gênero sobre o Irã, país que tem sido alvo frequente de discussões sobre direitos humanos por parte de especialistas, e não apenas por causa da perseguição norte-americana, mas por denúncias graves de abusos feitas por intelectuais iranianos respeitados e pela sociedade civil do país. Assim como há denúncias feitas contra vários outros países.
Ao Brasil interessa fortalecer as organizações multilaterais, e estabelecer limites ditados pelo direitos internacional. O governo Lula não votou em favor do Irã nas últimas votações que ocorreram no Conselho de Segurança e na Assembléia Geral porque ele negasse que houvesse problemas na área de direitos humanos no país, e sim porque ele entendeu que, no primeiro caso, o assunto era o direito ao enriquecimento de urânio e, no segundo, o fórum não era o correto. Na votação realizada na Assembléia Geral, a representante brasileira foi bem enfática ao declarar que a posição do Brasil, ao se abster, era um protesto contra o fato de que o assunto estava sendo tratado no lugar errado; direitos humanos devem ser tratados na Comissão de Direitos Humanos, porque aí há muito menos manipulação por interesses geopolíticos.
De: Óleo do Diabo

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Iraniana Sakineh foi libertada, diz ONG na Alemanha

BERLIM - A iraniana Sakineh Ashtiani, de 43 anos, foi libertada da prisão, afirmou nesta quinta-feira Mina Ahadi, líder da Comissão Internacional contra a Pena de Morte e o Apedrejamento. Sakineh estava presa condenada por adultério. O dia da libertação não foi informado.
Segundo Mina, a libertação se deveu à pressão de líderes mundiais e de personalidades. A ativista destacou a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, presidente eleita, no processo que culminou com a soltura.
- Nós vivemos hoje momentos felizes - disse Mina, ao confirmar a libertação, lembrando porém que a luta continua. Atualmente, 21 mulheres e cinco homens aguardam em prisões iranianas execução por apedrejamento.
Antes de saber da libertação, o Parlamento Europeu havia anunciado o envio de uma comitiva internacional de advogados a Teerã para negociar com o governo iraniano.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Autoridade do Irã cogita suspensão de pena de morte a Sakineh

O diretor do Conselho de Direitos Humanos do Irã, Mohamad Javad Larijani, declarou na noite desta segunda-feira (22) que há "boas opções" de se suspender a pena de morte imposta a Sakineh Mohammadi Ashtiani, mulher acusada de assassinato e adultério, que corre risco de ser apedrejada.
- O Conselho de Direitos Humanos do Irã contribuiu em grande medida para reduzir sua sentença. Acho que agora existe uma boa chance para que sua vida seja salva.
Larijani é parente direto do chefe do Poder Judiciário do Irã, Sadeq Larijani, e do presidente do Parlamento, Ali Larijani.
Em declarações exclusivas à televisão estatal em inglês PressTV, o responsável iraniano criticou os Estados Unidos e voltou a comprar o caso de Sakineh com o da americana Teresa Lewis, morta em setembro passado nos EUA após ser acusada de assassinar o marido.
- Nos Estados Unidos, uma mulher que mata seu marido com a ajuda de seu antigo amante, inclusive sofrendo de desordem mental, é condenada à pena de morte e executada. A mesma situação ocorre no Irã. A mulher é igualmente condenada à morte, mas seu caso ainda está pendente de revisão.
De: R7

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Nem Pilatos, nem avestruzes

Princípios são princípios: se calhar de os piores safados estarem defendendo valores corretos, mesmo que com má fé e calculismo, ainda assim não podemos deixar de nos colocar ao lado da civilização, quando a alternativa é a barbárie.

Então, estão certíssimos os 80 países que aprovaram, na ONU, a resolução do Canadá condenando as sucessivas, grotescas e intermináveis violações dos direitos humanos por parte do estado teocrático iraniano.
E erradíssimo o Brasil ao se omitir, repetindo Pilatos.
Pois o Irã aplica uma justiça medieval que não tem mais lugar no século XXI, executa inocentes após julgamentos farsescos, apedreja mulheres, tortura, mutila, barbariza. Nenhum revolucionário pode, seja lá com qual justificativa for, em circunstância nenhuma, jamais, compactuar com tais atos!
Existimos para conduzir a humanidade a um estágio superior de civilização, não para enfiar a cabeça na areia enquanto déspotas ensandecidos impõem a seu povo o mais retrógrado e repulsivo fanatismo religioso.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

RESPOSTA DO IRÃ É UM SAPO QUE LULA NÃO PODE ENGOLIR

Se o Brasil aspira mesmo a exercer um papel de liderança mundial alternativa à das potências tradicionais, não pode aceitar resignadamente a sem cerimônia com que um mero porta-voz do Ministério do Exterior iraniano descartou o magnífico gesto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, oferecendo asilo a Sakineh Mohammadi Ashtiani:
"O presidente da Silva tem uma personalidade muito emotiva e humana, mas provavelmente não tem informação suficiente sobre o caso".
Ele e todos os brasileiros temos informações mais do que suficientes: em nome de valores caducos, cruéis e repulsivos, o Irã pretende assassinar de maneira horrível (apedrejando-a até a morte) uma mulher por algo que nem delito é considerado em nações civilizadas: adultério. Seria cômico se não fosse trágico.
O presidente da Silva sofreu uma avalanche de críticas falaciosas e injustas da mídia mundial por haver tentado evitar que o Irã seja esmagado pela aliança EUA-Israel. Ceder-lhe Sakineh é o mínimo que essa excrescência medieval poderá fazer para compensar seu desgaste naquele episódio.
Na política, nada é concedido sem contrapartida. Cabe a Lula apresentar a conta por seus serviços, da maneira mais enfática possível. É o seu prestígio e o prestígio do Brasil que estão em jogo.
Se nem do insignificante Irã obtiver uma tão ínfima concessão, jamais se ombreará aos líderes do planeta.
Isso é o que acontece com quem ajuda ingratos da pior espécie: os fanáticos religiosos.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sanções contra o Irã, como torcer os fatos

Por Luciano Martins Costa em 10/6/2010
Há um grande descompasso entre alguns dos principais jornais brasileiros e a imprensa internacional de maior reputação, na análise das sanções determinadas pelo Conselho de Segurança da ONU contra o Irã.
Enquanto jornais como o Estado de S.Paulo e o Globo declaram, em manchete, que a decisão deixa o Brasil isolado, publicações internacionais de grande prestígio observam que o governo brasileiro tinha razão ao afirmar que as sanções não irão produzir os resultados esperados.
Escorre de parte da imprensa brasileira um verdadeiro ranço de inferioridade, a decretar que o Brasil cometeu uma trapalhada no episódio e acabou isolado.
Assinantes de boletins online de publicações européias e americanas ficam sabendo, por exemplo, que as sanções não devem produzir mudança na posição do governo iraniano e que a decisão do Conselho de Segurança não exclui a necessidade de novas medidas no futuro próximo.
Dessas análises se conclui que a continuidade das negociações se torna possível porque o apoio do Brasil e da Turquia reduziu o isolamento do Irã, como observa o conservador Washington Post. O britânico Financial Times destaca que turcos e brasileiros se apresentaram como negociadores confiáveis.
Papel relevante O resumo do noticiário internacional publicado pela Folha de S.Paulo na coluna "Toda Mídia" (10/6) mostra um viés completamente oposto ao que a grande imprensa brasileira adota sobre o assunto. A Folha é o único dos chamados grandes jornais de circulação nacional que não aposta na tese do isolamento de Brasil e Turquia.
Como a decisão do Conselho de Segurança não exclui novas negociações antes de uma atitude de força contra o Irã, existe grande possibilidade, segundo analistas citados pelo jornal, de que brasileiros e turcos sejam convocados a exercer um papel de destaque em futuras rodadas, uma vez que se apresentaram como interlocutores de confiança para ambos os lados.
A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, declarou que o Brasil e a Turquia votaram contra a decisão do Conselho de Segurança para manterem as portas abertas com o Irã, e que os dois países terão um papel importante a cumprir nas negociações.
A tese do isolamento brasileiro soa como mais uma picuinha da imprensa, ou de parte dela.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Rússia apóia acordo com Irã. E agora, dona Hillary?

Direto do Tijolaço
Parece que estão passando a perna na dona Hillary. Segundo a agência de notícias russa Novosti, o chanceler russo Sergei Lavrov afirmou hoje que seu país apoiará “ativamente” o acordo obtido por Brasil e Turquia junto ao Irã como um caminho pacífico para a resolução da questão nuclear iraniana.

A secretária de Estado disse ter o apoio da Rússia e da China para ampliar as sanções contra o Irã, mesmo após o acordo com Brasil e a Turquia ter estabelecido o envio de 1.200 toneladas de urânio de baixo enriquecimento do Irã para a Turquia, que o devolveria como combustível enriquecido a 20% para uso em fins pacíficos.

Lavrov disse que o acordo atende as exigências de uma resolução pacífica para a questão, “e por isso nós faremos todo o possível para implementá-lo”.

A imprensa brasileira, claro, tratou o assunto cde outra forma, destacando uma incerteza russa quanto a a adesão iraniana ao acordo. Lavrov afirmou que se o Irã seguir estritamente suas obrigações no acordo, a Rússia apoiará o esquema proposto por Brasil e Turquia. Uai, e podia ser de outro jeito? Em qualquer acordo, você só o apóia se todas as parte cumprirem o estabelecido.
Tudo indica que o ex-vice-presidente do Conselho de Inteligência da CIA, Graham Fuller, em artigo no Estadão que comentamos aqui na terça-feira, estava certo em seu diagnóstico. “Será que realmente acreditamos que Hillary tenha conquistado o apoio de Rússia e China? Assim como a Teerã não faltaram incentivos para aceitar uma proposta feita por “iguais”, Rússia e China também encontram motivos de sobra para aprovar esta iniciativa de Brasil e Turquia. É verdade que os termos do acordo não são sem importância, mas, para esses países, é muito mais relevante a lenta e inexorável decadência da capacidade americana de ditar os termos da política internacional e de satisfazer seus próprios objetivos. É exatamente essa a meta principal da estratégia russa e chinesa na política externa.”

quarta-feira, 26 de maio de 2010

As relações do Brasil

O Brasil mantém relações com um país que não assinou o tratado de não proliferação das armas nucleares e desrespeita decisões da ONU, além de manter um arsenal com armas atômicas.
Esse país é...
(  ) Irã
(  ) Paraguai
(  ) Israel
Quem acertar, ganha uma bomba atômica caseira made in Irã

terça-feira, 23 de junho de 2009

A crise no Irã

Li, na Carta Maior, uma análise que me pareceu equilibrada sobre a crise política no Irã. Embora o mundo espere o meu pronunciamento sobre o tema, a entrevista me pareceu bem adequada ao momento, quando muita gente, por horror aos EUA, abraça os aiatolás.
Leia em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16041&boletim_id=564&componente_id=9653