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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Mercado global caminha para escassez de vinhos, diz estudo

De: BBC
vinícola| AFP
Produção de vinhos não está acompanhando demanda global
Um estudo conduzido pelo departamento de pesquisa do banco Morgan Stanley diz que o mundo está enfrentando uma escassez de vinhos, explicada pelo aumento da demanda e queda na produção global.

Segundo a pesquisa, 300 milhões de caixas de vinho deveriam ter sido produzidas a mais no ano passado para atender a demanda global.

O estudo diz que este é o maior deficit registrado nos 40 anos em que são feitas as medições.
Para os autores do estudo, Tom Kierath e Crystal Wang, a queda na produção é motivada principalmente pelas condições climáticas desfavoráveis na Europa e pela "arrachage", como é chamada em francês uma prática que consiste em destruir parte das vinícolas para evitar a superprodução e o achatamento de preços.
A produção de vinhos na Europa caiu cerca de 10% no ano passado e 25% desde o pico de 2004.
Ao mesmo tempo, a produção de vinho no chamado "novo mundo" do setor – Estados Unidos, Austrália, Argentina, Chile, África do Sul e Nova Zelândia – vem crescendo continuadamente.
"Com o cenário de aperto na Europa, os maiores exportadores do novo mundo devem se beneficiar com a demanda crescente dos mercados de exportação", afirmam os pesquisadores.

Demanda e preços altos

No ano passado, a produção de vinho também tinha caído a seu menor nível em mais de quatro décadas.
A produção global da bebida vem declinando desde que atingiu um pico em 2004, quando a oferta superou a demanda em 600 milhões de caixas.
garrafas de vinho
Produção de vinhos na Europa caiu 10% no ano passado
Ao mesmo tempo, o consumo vem aumentando desde 1996. Atualmente, são consumidas 3 bilhões de caixas de vinho por ano, produzidas por mais de um milhão de produtores em todo o mundo.
Os autores preveem que o atual cenário resultará em um aumento significativo da demanda de exportação e aumento dos preços.
Ainda segundo o estudo, os franceses se mantêm no topo da lista dos maiores consumidores de vinho (12% da produção total), com uma pequena margem de diferença em relação aos americanos (também de 12%)

O estudo ainda diz que os Estados Unidos, juntamente com a China - quinto maior mercado de vinhos do mundo - são vistos como os países que mais impulsionam o consumo da bebida globalmente.

sexta-feira, 29 de março de 2013

China reavalia política em relação à Coreia do Norte


A estratégia chinesa para norte-coreanos é tema de debate: tradicionalistas defendem curso atual, estrategistas querem medidas mais severas e aproximação dos EUA. Pequim teme instabilidade crescente em suas fronteiras.
"O terceiro teste nuclear da Coreia do Norte é uma boa oportunidade para a China reconsiderar a aliança de muitos anos com a dinastia Kim", exigiu o jornalista chinês Deng Yuwen em artigo no Financial Times. Deng é vice-editor-chefe da revista Study Times, publicada pela Escola do Partido Comunista em Pequim. O apelo do jornalista: "A China deve abrir mão da Coreia do Norte".
Vozes como a de Deng são um fardo para a amizade de dezenas de anos entre os vizinhos comunistas. Desde o final do ano passado, as relações bilaterais atingiram um novo nadir. E em fevereiro a Coreia do Norte voltou a provocar com a realização de um teste nuclear. Dois meses antes, o foguete norte-coreano Unha-3 lançou um satélite em órbita terrestre. Única parceira do país, a China está obviamente irritada: o imprevisível vizinho abusa de sua paciência.
Na última assembleia geral do Congresso Nacional do Povo, o parlamento chinês, alguns delegados realizaram um debate de fundo sobre a política em relação à Coreia do Norte. A vice-diretora do Escritório Central de Assuntos Estrangeiros, Qiu Yuanping, relata que os debates giraram em torno da questão se a China continuará a "apoiar" ou "deixará de lado" o país vizinho. Essa abordagem aberta é algo incomum, pois as lideranças de Pequim são geralmente bastante reservadas com tais observações.
Entre tradicionalistas e estrategistas
Dentro do circuito político chinês não há consenso sobre como lidar com o país vizinho. Desde o segundo teste nuclear norte-coreano, em 2009, duas correntes de opinião se definiram. Os chamados "tradicionalistas" se atêm à imagem propagada pelo fundador do atual Estado chinês, Mao Tsé-tung: a China e a Coreia do Norte estão "tão intimamente ligadas como os lábios e os dentes". Para eles, abandonar o Estado-irmão comunista está fora de cogitação, e vêm os EUA como maior desafio aos interesses chineses na Ásia Oriental.
Pequim vê como ameaça à segurança nacional a forte presença militar estadunidense na região pacífico-asiática – considerada pelo presidente Barack Obama como um novo foco estratégico. A Coreia do Norte é para a China uma importante zona-tampão face à Coreia do Sul e ao Japão, ambos parceiros dos Estados Unidos.
Debate no Congresso Nacional do Povo
Até agora, a política da China para a Coreia do Norte foi basicamente definida pelo Exército Popular de Libertação. Dados os laços de longa data com a Coreia do Norte e a grande desconfiança em relação ao poder militar dos EUA, as lideranças militares chinesas mantêm seu curso conservador.
De acordo com Jia Qingguo, professor de Ciências Políticas na Universidade de Pequim, tal estratégia é obsoleta. A China deveria tomar a Coreia do Norte como ponto de partida para uma cooperação mais estreita com os Estados Unidos, declarou ao New York Times. Jia pertence ao grupo dos chamados "estrategistas", que pedem medidas mais rigorosas em relação à Coreia do Norte, ao mesmo tempo que defendem uma maior cooperação com os EUA.
Mesmo Zhang Liangui, da Universidade Central do Partido em Pequim, pede medidas mais duras contra o país vizinho. É ingênua a crença de que Pyongyang pode ser persuadida a renunciar às armas nucleares por meio de uma política de apaziguamento, afirmou o perito em segurança ao jornal estatal Global Times.
Nenhuma mudança radical de direção
Mao Tsé-tung, em foto de 1960: Coreia do Norte e China, inseparáveis como "os lábios e os dentes"
"O apoio a sanções mais duras contra a Coreia do Norte não deve ser interpretado como uma alteração fundamental da posição chinesa", enfatizou Yang Jiechi, até recentemente ministro do Exterior chinês, e agora responsável pela política externa no Conselho de Estado. Suas palavras mostram que, por enquanto, não deverá haver uma mudança de curso.
Especialistas acreditam que a China pode temer que, com o colapso da Coreia do Norte e uma possível reunificação dos dois Estados coreanos, as tropas norte-americanas cheguem até as fronteiras do território chinês. Paul Haenle, da Fundação Carnegie para a Paz Internacional, e também diretor do Centro Carnegie-Tsinghua da Universidade Tsinghua, em Pequim, é da opinião de que as contínuas provocações de Pyongyang podem levar, a longo prazo, a uma corrida armamentista. "Porque assim como os EUA, também o Japão e a Coreia do Sul irão reconsiderar suas estratégias de segurança", e isso contradiz diametralmente os interesses chineses, disse em entrevista à DW.
Enquanto os Estados ocidentais tentam dissuadir a Coreia do Norte de prosseguir com seu programa nuclear, para o governo chinês a preservação da estabilidade está em primeiro plano, observa Stephanie Kleine-Ahlbrandt, do International Crisis Group da Deutsche Welle. "Pequim teme um confronto militar direto entre Pyongyang e Washington."
Recentemente, o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, anunciou que Washington iria ampliar sua defesa antimíssil, devido às ameaças de ataques da Coreia do Norte. Uma guerra ou um colapso da ditadura Kim iria provocar uma onda de refugiados em direção ao norte da China. Sob a liderança do novo chefe de Estado chinês, Xi Jinping, não deverá haver, todavia, mudanças radicais, afirmou Kleine-Ahlbrandt. "Mas Pequim irá adotar uma linha mais dura em relação a Pyongyang."

De: DW.DE

terça-feira, 8 de maio de 2012

Pílulas chinesas à base de carne humana são descobertas na Coreia do Sul


Coreia do Sul
Em 2011, um documentário da TV SBS, da Coréia do Sul, revelou que hospitais e clínicas abortistas estatais chinesas participam diretamente do macabro negócio, informando as empresas da morte de um bebê em decorrência de parto ou de aborto
A Coreia do Sul intensificou nesta terça-feira o combate ao contrabando de das pílulas chinesas que contêm pó de carne humana, retirada de fetos ou bebês natimortos, em sua composição. O medicamento é vendido com a promessa de curar doenças e melhorar o desempenho sexual.
De acordo com o jornal inglês Daily Mail, os corpos eram levados e colocados em geladeiras caseiras nas casas dos próprios envolvidos no esquema. Depois, os cadáveres eram removidos e levados para clínicas e colocados em um micro-ondas de secagem, instrumento usado na indústria farmacêutica.
De agosto de 2011 até agora, já foram interceptadas 17.451 cápsulas pela alfândega. As pílulas foram encontradas em pacotes enviados pelo correio ou durante apreensões nos aeroportos.
A maioria das cápsulas vieram de cidades do nordeste da China, como Jilin e Yanji, e eram destinadas a clientes sul-coreanos, de acordo com a Alfândega. Vários estavam escondidos em pacotes contendo medicamentos “regulares”.
Por conta disso, as autoridades da Coreia do Sul aumentaram o controle dos voos provenientes de “certas regiões chinesas” e realizam uma análise muito mais rigorosa das bagagens, disse Kim Soo-Yeon.
O funcionário da alfândega, Kim Soo-Yeon, informou à agência francesa de noticias AFP um que introduzir estes comprimidos no país viola a lei que proíbe produtos que “ferem a dignidade humana e os valores”.
Por enquanto, as pessoas detidas não pareciam pertencer a uma rede estabelecida. Muitos dos presos asseguraram desconhecer a composição desses “medicamentos”.
A Alfândega também alertou para o perigo de bactérias e outros organismos prejudiciais que podem estar presentes nestas pílulas. Segundo o jornal Chosun Ilbo, essas cápsulas são vendidas entre 40.000 e 50.000 wons cada (de 27 a 34 euros).
A venda dessas cápsulas é baseada em uma superstição, segundo a qual engolir pedaços de crianças pequenas pode curar doenças ou dar grande força física.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Mais de 16 milhões de chinesas são casadas com homossexuais

 

Zhang Beichuan

Cerca de 16 milhões de mulheres chinesas aceitaram se casar com homossexuais chineses por pressão familiar porque - segundo os valores tradicionais das famílias chinesas - "90% dos homossexuais se casam". As conclusões são de um estudo publicado no portal China.org.cn .
Segundo o estudo, as mulheres precisam carregar o peso de aceitar casar com homossexuais.
 Na China, a homossexualidade foi considerada uma doença mental até 2001, quando começaram a surgir clínicas particulares para tratar aqueles que quisessem mudar de orientação.

O sexólogo Zhang Beichuan, especialista em temas sobre HIV da Universidade de Qingdao e autor do livro "Amor Homossexual" (1994), disse ao portal chinês que "estas mulheres estão expostas a contrair HIV, além de conviverem com a insatisfação sexual e também carregar o peso de aceitar que seus maridos sejam homossexuais".
 Saites chineses - como o "Terra das Esposas de Gays" e "Esposas de Gays em Ação", entre outros - oferecem serviços legais e psicológicos a todas as mulheres casadas com homossexuais.
Xiao Yao, criadora do primeiro saite, com 1.200 usuários cadastrados, disse à Agência Efe que o objetivo de seu portal é fornecer apoio às mulheres que se sentiram enganadas, "o que lhes tira a confiança em si mesmas e cria o medo de que o fato seja descoberto pelo resto da sociedade".
Xiao se divorciou de seu marido homossexual em 2008. Ela afirmou que as mulheres que consultam seu saite têm entre 20 e 60 anos.
"Algumas se deram conta do engano porque seus maridos não queriam ter relações sexuais ou porque após terem filhos começaram a ser rejeitadas, enquanto muitas só souberam da orientação de seus parceiros após muitos anos de casamento", acrescentou.
Xiao concordou com o sexólogo Zhang ao admitir que há pelo menos 16 milhões de mulheres chinesas casadas com homossexuais. "Outra razão pela qual eles buscam se casar é para ter filhos, o que só pode ser feito segundo a tradição chinesa, ou seja, casando. Espero que isso deixe de prejudicar tantas pessoas inocentes" - concluiu.
Os tratamentos que supostamente "curam" a orientação sexual com o uso de remédios, e que na década de 1950 consistiam em usar descargas elétricas, são considerados uma fraude tanto pela comunidade homossexual chinesa quanto pelos sexólogos.O custo de meia hora de tratamento é de US$ 46.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Chineses da linha de produção do Xbox ameaçam suicídio coletivo

Grupo de 300 funcionários foi ao topo da fábrica da Foxconn protestar contra más condições de trabalho
 
Cerca de 300 chineses que trabalham na Foxconn, a maior fabricante de componentes eletrônicos do mundo, anunciaram no último dia 3 que iriam cometer um suicídio coletivo caso seus salários não fossem elevados.
Os funcionários, que trabalham na linha de montagem do console Xbox, da Microsoft, teriam ameaçado jogar-se do topo do edifício depois que a companhia negou-lhes o pedido de aumento salarial. Eles permaneceram na cobertura do prédio por dois dias.
Efe
 
Funcionários caminham rumo à cobertura do edifício
Segundo o jornal britânico The Sun, a Foxconn sugeriu que os insatisfeitos pedissem demissão e recebessem o salário deste mês. A companhia, contudo, não cumpriu sua parte do acordo, o que desencadeou a revolta dos funcionários.
O suicídio só foi evitado quando o prefeito de Wuhan convenceu o grupo de operários a retornar para o interior do prédio. Em entrevista à emissora norte-americana CBS, um porta-voz da Microsoft, uma das clientes da Foxconn, disse que sua empresa “leva a sério as condições de trabalho nas fábricas de seus produtos e que está investigando o caso”.
Fábrica de suicídios
Segundo matéria publicada pelo site italiano Linkiesta e reproduzida no Brasil pela revista Samuel, em 2010, 14 funcionários da Foxconn cometeram suicídio em protesto contra as péssimas condições de trabalho e as baixas remunerações.
A companhia, então, comprometeu-se a rever o número de horas de trabalho, os salários e as horas extras de seus operários. A Sacom (Estudantes e Acadêmicos contra o mal-comportamento corporativo, na sigla em português) revelou, contudo, que a promessa não foi cumprida.

Cerca de 120 entrevistas conduzidas pela ONG provam que os trabalhadores “continuam sendo obrigados a fazer hora extra” ao mesmo tempo em que permanece “um estilo militar de gerenciamento”. Uma ironia quando leva-se em consideração a frase de boas-vindas do contrato de admissão da companhia: ”felicitações por fazer parte da família Foxconn”.
Terry Gou, o principal executivo da empresa, é, segundo os leitores da revista Time, uma das pessoas mais influentes do mundo. Ele planeja deslocar parte das operações da Foxconn para o Brasil, aonde o investimento inicial em linhas de produção equivaleria a 12 bilhões de dólares.
De: Opera Mundi

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

China registra desaparecimento de 44 mil locais de importância cultural

Grande Muralha da China (Jakub Hałun/Wikimedia Commons)Correspondentes afirmam que erosão e progresso ameaçam até a muralha da China
Cerca de 44 mil ruínas antigas, templos e outros locais de grande importância cultural desapareceram na China nos últimos 20 anos, segundo informa o governo do país.
De acordo com o primeiro censo do patrimônio cultural realizado pela China em duas décadas, cerca de um quarto dos locais pesquisados está em mau estado de conservação.
Ao explicar os resultados, o vice-diretor do levantamento, Liu Xiaohe, disse à mídia estatal chinesa disse que muitos pontos de grande relevância cultural estão desprotegidos, sendo demolidos para dar lugar a projetos de construção civil.
Segundo Liu, o desenvolvimento econômico do país é a razão principal dos danos causados às relíquias culturais chinesas.
O censo, realizado pela Agência Estatal de Patrimônio Cultural da China, registrou cerca de 700 mil áreas em todo o país.
Na região mais afetada, a Província de Shaanxi, onde ficam os famosos guerreiros de terracota, as estatísticas indicam que mais de 3.500 locais de grande relevância cultural simplesmente desapareceram.
O censo não cita especificamente quais construções ou monumentos desapareceram no período de pesquisa.

Muralha ameaçada

Apesar disso, correspondentes da BBC afirmam que até mesmo a Grande Muralha da China está ameaçada pela erosão e pelo progresso desordenado, marcado por construções irregulares.
Segundo os correspondentes, as leis de conservação chinesas são desconsideradas por andarilhos e exploradas por moradores dos vilarejos, que cobram suas próprias taxas de admissão aos patrimônios culturais.
Relatos indicam que, há dois anos, uma parte da muralha construída durante a dinastia Qin foi danificada por mineradores que fizeram buracos na edificação, em busca de ouro.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

China: 100 anos sem imperadores

publicado em recortes por diana guerra

Há cem anos a China mudou a direcção da sua História. Depois de milénios de governação imperial, uma série de revoltas e manifestações violentas forçou o imperador Puyi, de apenas seis anos, a abdicar. A 1 de Janeiro de 1912, a China tornava-se uma República.
 
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Pintura Dinastia Qing, Aqueduto de Bamboo em Hong Kong, 1843.
A 12 de Fevereiro de 1912, a vida do último imperador da China e a própria história da China mudariam para sempre. A revolução de Xinhai (que decorria desde Outubro do ano anterior) precipitara os acontecimentos e o imperador Puyi, com apenas seis anos e dias depois de instaurada a república, acabou por abdicar do seu título. Foi o fim da era da dinastia de Qing, que reinava desde 1644, e dos imperadores na China. O país era governado por imperadores desde 3500 A.C.
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Pintura Dinastia Qing, Cidade de Nanking, 1843.
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Pintura Dinastia Qing, Ataque e captura de Chuenpee perto de Canton, 1843.

A dinastia Qing mostrava dificuldades em manter as fronteiras e modernizar o país desde a segunda metade do século XIX e no final do século surgiram os primeiros grupos de contestação do poder imposto. Ao longo dos anos, as vozes opositoras do regime tornaram-se mais fortes, criticando o poder da minoria Manchu (provenientes da província da Manchuria à qual a dinastia Qing pertencia) que reinava sobre a maioria Han, grupo étnico que representa 92% da população chinesa. Soldados, homens de negócio, grupos de direitos civis e intelectuais juntaram-se e levaram a cabo várias revoltas e motins por todo o país.
Nos primeiros anos do século XX assitiu-se a uma escalada de violência que punha em causa o regime. Os revoltosos pretendiam tomar o poder a 6 de Outubro de 1911 mas, devido à falta de meios, adiaram as movimentações. No entanto, devido à explosão acidental de uma bomba, os acontecimentos precipiratam-se e a revolta instalou-se por toda a China a 10 de Outubro. Rapidamente, a cidade de Wuchang foi tomada pelos manifestantes. Seguindo o exemplo, outras cidades por todo o país também foram tomadas.
Numa tentativa de acalmar os ânimos da população, o governo da família Qing elegeu Yuan Shikai primeiro-ministro a 1 de Novembro, um cargo inexistente até então e que retirava a Puyi o seu poder absoluto. Dois dias depois, a corte aprovou os Dezanove Artigos, documentos legais nos quais constava a alteração do sistema autocrático (em que o imperador tinha poderes ilimitados) para uma monarquia constitucional.
Contudo, estas alterações ocorreram demasiado tarde. Os revoltosos exigiam a instauração de uma república e as manifestações continuaram. Com o país à beira da guerra civil devido às tensões entre as províncias do norte e do sul, era urgente chegar a um acordo. A 18 de Dezembro, foi feita uma decisão. Yuan Shikai forçaria o imperador a abdicar, tornando-se o pirmeiro Presidente da República da China. Finalmente, o primeiro dia da República chegou, a 1 de Janeiro de 1912, e a 12 de Fevereiro Puyi assinava a abdicação. Tinha apenas seis anos.
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Puyi, 1909.
Durante a primeira parte da sua vida, o último imperador da China esteve ligado ao poder. Recuperou-o momentaneamenteno período de 1 a 12 de Julho de 1917. De 1932 a 1945, reinou sobre a província da Manchúria, tornando-se um imperador fantoche ao serviço dos japoneses. Depois da II Guerra Mundial, toda a sua influência desapareceu. Foi preso pelo Exército Vermelho, passando os dez anos seguintes na prisão, passando por privações que nunca tinha conhecido. Quando saiu, levou uma vida modesta: apoiou publicamente o Partido Comunista e trabalhou nos Jardins Botânicos de Beijing e nos Arquivos do Governo. Acabaria por morrer em 1967 vítima de cancro renal.
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Puyi, 1922.
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Puyi em Xuantong (imagem da esquerda).Puyi em Manchukuo (imagem da direita).
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Mao Tse Tung, lider dos comunistas chineses, dirige-se a alguns dos seus seguidores.

A vida de Puyi é retratada no filme "O Último Imperador" de Bernardo Bertolucci, baseado na autobiografia escrita pelo imperador.
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Cidade Proibida de Beijing.
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Cidade Proibida de Beijing.
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Cidade Proibida de Beijing.

Leia mais: em Obvious

terça-feira, 19 de julho de 2011

Dalai Lama despirocou de vez


Quem será o próximo menino dourado?
Com todo o respeito que me merece sua santidade o Dalai Lama, o cara passou do limite. Declarou que quer influir diretamente na sua sucessão. O sucessor do Dalai Lama será, segundo a tradição, a reencarnação de um lama falecido. O "Rapto do Menino Dourado", um filme com o Eddie Murphy, aborda essa questão. Para impedir que o governo Chinês interfira na escolha do próximo Dalai Lama, o atual Dalai Lama quer decidir sua reencarnação enquanto estiver vivo. Quando o Ahmadinejad que interpretar a vontade de Alá é chamado de louco, já o Dalai Lama é um santo.
Por mais que a figura do Dalai Lama inspire paz e harmonia, o Tibet que ele deseja é um regime teocrático e o caráter político de sua luta fica evidente nas declarações que fez nos EUA.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Não esperemos demais da China

Cenário Internacional

Dentro de uma década, o crescimento da China terá caído à metade da média de 10% dos últimos anos. A consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) projeta que o país asiático vai passar por processo gradual de desaceleração e chegará a 2020 se expandindo por volta de 5%. Segundo o diretor de projeções globais da EIU, isso deveria servir de alerta para países como o Brasil, cuja dependência da China como destino de exportações de commodities tem aumentado muito. No longo prazo, as commodities sozinhas não serão a forma de garantir crescimento sustentado.
A emergência da China como único motor potente de expansão global em funcionamento, atualmente, é parte da agenda de discussão contemporânea. Trata-se dos desafios que o Brasil tem pela frente para continuar crescendo de forma sustentada. Um dos principais desafios é investir no desenvolvimento de produtos de maior valor agregado.
A esperada desaceleração da China será parcialmente compensada por crescimento ainda forte da Índia. De acordo com as projeções da EIU, a taxa de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) da Índia deverá empatar com a da China já em 2011, e a partir daí tenderá a ficar ligeiramente acima do ritmo de crescimento chinês. A pujança indiana, combinada com crescimento menor, mas ainda forte da China, significará que a demanda por commodities se sustentará em nível alto nos próximos anos. Mas a tendência é que essa atração por produtos básicos entre em ciclo declinante à medida que as duas economias se desacelerem.
Para evitar a desindustrialização, na visão monótona ortodoxa, o governo brasileiro deveria tomar medidas para melhorar a qualidade da educação e reduzir a burocracia. O Brasil precisa complementar essa riqueza advinda das commodities com maior atenção para infraestrutura, regime tributário e qualidade da força de trabalho.
Na verdade, o risco de protecionismo aumentou por conta do choque entre a política de afrouxamento monetário dos EUA e a resistência da China em desvalorizar sua moeda mais rapidamente. Essa guerra cambial afeta todo o mundo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O seu iPhone pode matar



  A fábrica da empresa Foxconn em Shenzhen, China, é também a casa de metade de seus 420 mil funcionários. Após o trabalho, eles vão direto para seus dormitórios num campus com 2,1 quilômetros quadrados.
Lá há prédios de dormitórios para homens e mulheres separados e também para trabalhadores de cargos mais baixos.
Depois da sequência de onze suicídios entre funcionários da empresa no início do ano, cada prédio no campus da Foxconn é envolto por uma rede. Após a mórbida providência, tudo indica que não houve mais casos de suicídios desde que as redes foram instaladas, em maio.
Os corredores dos prédios ficam institucionalmente vazios e sem luz para economizar energia, manter a temperatura baixa e permitir que os trabalhadores do turno noturno possam dormir sem interrupções durante o dia.
Em um dos quartos, oito trabalhadores dormem em quatro beliches numa área equivalente a uma garagem para dois carros. Os objetos do banheiro ficam numa prateleira, dentro de canecas.
Há uma sala de televisão em cada andar e equipamentos de ginástica nos espaços entre os prédios.
Num dormitório mais moderno, a pia é colocada perto da varanda, onde os trabalhadores podem lavar suas roupas e a si próprios.
Recentemente, a gestão dos alojamentos foi terceirizada para uma empresa de operações locais, numa tentativa de dar respostas aos empregadores sobre as condições de vida de seus funcionários.
Ainda não está claro, no entanto, como o gerenciamento externo irá alterar a natureza do campus.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Giap Vive!

Giap em foto de Ricardo Stuckert
Por Sergio Santeiro, de Niterói  

A China aborda a riqueza mineral e ambiental do Vietnã com a mesma avidez e desprezo que os EUA sempre dedicaram aos mais fracos. Contra isso, o general Giap volta a erguer sua voz.
A um ano de completar seu centenário, Vo Nguyen Giap, o general que comandou a vitória do Vietnã sobre os invasores franceses em 1954, e depois sobre os americanos, em 1975, vê-se agora às voltas com nada menos que os chineses.
Quem nos traz a notícia publicada no jornal La Repubblica, por Raimondo Bultrini, em 19/7/2010, é Silvio Tendler que, em seu magistral filme Utopia e Barbárie, tinha já recolhido o depoimento do velho general sobre a atualidade vietnamita, como em todo o mundo exposta à escalada da sociedade de consumo de massa. Sua notável resposta, o rosto iluminado, é de que agora vivemos em paz.