terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Lula no prêmio Direitos Humanos:“Viver é mais que sobreviver"

Lula entre Paulo Vanuchi e Maria do Rosário
O atual governo se reconhece como parte da travessia para sanar feridas provocadas por direitos violados, conquistas reprimidas e reparações postergadas, afirmou o presidente Lula nesta segunda-feira (13/12), na cerimônia de entrega do Prêmio Nacional de Direitos Humanos e assinatura do encaminhamento ao Congresso Nacional da Convenção Internacional para a proteção dos direitos humanos dos trabalhadores migrantes, realizada no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).
Para o presidente, os ativistas em direitos humanos “encarnam a força, a persistência e a coragem do movimento social brasileiro”, grande responsável para alcançar o ambiente de “irrestrita democracia política” que o País vive hoje. Lula lembrou que em um passado não muito distante, militantes de movimentos sociais e lideranças populares arriscaram a própria vida para defender direitos coletivos e individuais que hoje estão assegurados e sobre os quais existe um amplo consenso.
Não foram poucos os que tombaram. Para cada um que caía, outros se levantavam. Até que a democracia avançou, conquistou espaços e desaguou nas ruas deste país para, finalmente, se tornar direito, com o pleno restabelecimento das liberdades.
Em seu discurso, Lula deu ênfase à Declaração dos Direitos Humanos, que completa hoje 62 anos, e que condensa três valores fundamentais: a liberdade, o direito à vida e o direito à justiça social, todos essenciais para a solidez democrática e à vida digna. Lula lembrou dos 28 milhões de brasileiros que saíram da pobreza em seu governo e dos quase 36 milhões que ascenderam na pirâmide da renda, uma vez que “segurança alimentar tornou-se uma política de Estado”. Com isso, foi garantida renda mínima a 12,7 milhões de famílias humildes, beneficiando mais de 50 milhões de pessoas, lembrou.
Porque viver é mais que sobreviver – é ter oportunidade de conquistar uma existência digna. Sem dignidade, a própria existência deixa de ter valor.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Políbio Braga é dispensado por O Sul e põe a culpa em Tarso Genro

Alegando questões editoriais, Paulo Sérgio Pinto, vice-presidente da Pampa, dispensou os serviços do intragável Políbio Braga. Junto com ele saiu a jornalista Beatriz Fagundes, que, ao contrário de Políbio, costuma defender as políticas do governo Lula. Não sei o que a Rede Pampa quer fazer, nem tenho lido O Sul, mas percebe-se que não foi um movimento de favorecimento ao PT.
Políbio, por sua vez, demonstrando verdadeiro complexo de perseguição, relacionou sua dispensa ao futuro governo de Tarso Genro.
Poucas coisas na mídia são tão inúteis e rancorosas como a Coluna do Políbio Braga,sua saída não fará nenhum mal ao jornal, pelo contrá rio.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O censo 2010 constatou que o número de residências desocupados é maior que o déficit habitacional brasileiro. Isso mostra o quanto a feber na construção civil tem de especulativa e o quanto os sucessivos favorecimentos à indústira da construção civil, via flexibilizações dos planos diretores, nada tem a ver com alguma necessidade social.
Claro que os números são brutos. Nem todas as chabitaões vazias serviriam para abrigar a população que, hoje, vive em condições sub-humanas. Ou seja, não basta abrir os apartamentos fechados na Av. Independência para receber as famílias da vila Chocolatão. Porém, o fato de que, matematicamente, há mais casas vazias do que pessoas sem moradia decente, mostra que há algo muito errado no Brasil. A concentração da propriedade imobiliária é uma das faces da concentração de renda no país.

Entrevista com Julian Assange

sábado, 11 de dezembro de 2010

Empresas barram campanha publicitária que questiona existência de Deus

Esta é a publicidade proibida
Já publiquei um comentário sobre o preconceito que atinge as pessoas que não acreditam na existência de um Deus, veja aqui. Agora, mais uma novidade na proibição da livre expressão do pensamento.
Saiu na Folha.com:
Empresas de mídia barraram uma campanha publicitária com dizeres contra a religião patrocinada pela Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos). As firmas se recusaram a veicular os anúncios mesmo depois de o contrato já ter sido assinado. A Atea estuda as medidas judiciais cabíveis.
As peças de propaganda, com frases como "Religião não define caráter" e "A fé não dá respostas; ela só impede perguntas", deveriam circular em ônibus de Salvador, São Paulo e Porto Alegre pelo período de um mês. A recusa ocorreu primeiro em São Paulo e depois em Salvador, sob a alegação de que as mensagens poderiam violar dispositivos das respectivas leis de publicidade em espaços públicos. Há informações ainda não confirmadas de que a empresa de Porto Alegre também vai romper o contrato.
"As seguidas recusas de prestação de serviço são uma confirmação contundente da força do preconceito contra os ateus, e da necessidade de acabar com ele. Nossas peças nada têm de ofensivas, e o teor de suas críticas empalidece frente às copiosas afirmações dos livros sagrados de que ateus são odiosos, cruéis, maus e devem ser eliminados. Existe um duplo padrão em ação aqui", diz Daniel Sottomaior, presidente da Atea.
As chamadas campanhas do ônibus, com mensagens ateias, tiveram início no Reino Unido em 2009 e desde então se espalharam por outros países, com resultados distintos.
Nos EUA e na Espanha, a iniciativa deu certo, provocando a esperada polêmica. Na Itália, a veiculação foi proibida. Na Austrália, a companhia responsável por anúncios em ônibus também se recusou a exibi-los.
Metade dos cerca de R$ 10 mil que seriam utilizados na campanha brasileira vem de pequenas doações e de recursos da própria Atea. A outra metade vem de um único doador paulista que prefere permanecer anônimo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Cem anos de Noel Rosa

Chico Buarque é o melhor herdeiro de Noel Rosa que faria cem anos no dia 11

Escolas do Brasil receberão CD-ROM com memória da luta contra a ditadura

Oito mil escolas públicas de ensino médio de todo o país irão receber do governo federal um CD-ROM com a história de 394 mortos e desaparecidos durante a ditadura militar (1964-1985). O trabalho, feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com apoio do Ministério da Educação (MEC) e sob a encomenda da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, foi apresentado hoje (10) em Brasília.
O CD-ROM foi elaborado a partir dos arquivos do projeto Direito à Memória e à Verdade da SDH e outros documentos. Além da biografia dos perseguidos políticos, o CD vai permitir aos professores e estudantes conhecer o contexto histórico e cultural do período com acesso à cerca de 4 mil fotografias e ilustrações, 300 vídeos e mais 300 canções que fizeram parte dos protestos e da resistência à ditadura.
“Essa juventude hoje não conhece os anos difíceis que o país passou”, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad, no lançamento. Segundo ele, o CD-ROM “será festejado como um instrumento de transformação”. Para Haddad, há um efeito pedagógico e cívico na iniciativa. “Democracia se apropria com a cultura. Não é nata do ser humano”, disse ao enfatizar que os valores democráticos precisam ser ensinados.
O ministro Paulo Vannuchi enfatizou que o CD ROM é uma experiência “absolutamente pioneira” em projetos de memória. “Não lembro de ter ouvido falar em outro país”, disse. SDH e MEC também são parceiros na elaboração das diretrizes curriculares nacionais para direitos humanos.
O CD-ROM deverá virar um site a ser desenvolvido pela UFMG. O trabalho foi coordenado pela professora Heloisa Maria Murgel Starling do departamento de história da UFMG e contou com a participação de 15 estudantes de várias áreas, entre elas, história, direito e comunicação.
Para a professora, o projeto é uma “batalha ganha” na recuperação da memória da época da ditadura. “Ao abordar a cultura, o CD-ROM traz uma dimensão de esperança e dimensão lúdica. O conhecimento da história se dá não apenas pela fase dura e dramática, mas também pela enorme criatividade que existia no período.”

Globo comete “grave erro” ao trocar repórter por ex-PM, diz sindicato

A utilização do Rodrigo Pimentel, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro (Bope), pela TV Globo na função de repórter causou a indignação do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ). Segundo a entidade, é um "grave erro" a emissora transformar Pimentel em jornalista.
Rodrigo Pimentel fez reportagens diretamente do Morro do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, durante quarta e quinta-feira da semana passada (1º e 2/12). A principal critica do sindicato ao fato do ex-PM trabalhar como repórter, inclusive fazendo entrevistas, é que, de acordo com a instituição, a figura do "policial Pimentel" coloca em risco a segurança dos jornalistas que estiverem na mesma cobertura que ele.
"A figura de um policial com a de repórteres, expõe a riscos ainda maiores os profissionais da imprensa em geral que cobrem a violência na cidade, e não apenas os daquela emissora, tornando-os alvos em potencial de bandidos", alega a direção do SJPMRJ.

Acordo com a Globo

O sindicato também demonstrou surpresa com a atitude da Globo em deixar um ex-membro do Bope atuar como jornalista. A entidade afirma que a própria emissora tinha demonstrado preocupação com a segurança dos profissionais de comunicação e também com o fato de não misturar o trabalho de jornalista com o de policial.
"Sempre foi uma preocupação separar o ofício do jornalista e o do policial, com a finalidade de garantir a segurança dos profissionais, inclusive já demonstrada pela própria TV Globo, ao realizar com o Sindicato treinamento para cobertura em áreas de risco. Agora, a própria emissora confunde e ultrapassa os limites entre a atuação profissional de um policial com a de jornalistas", lamenta o sindicato.

Repercussão no Twitter

O trabalho de Pimentel como repórter também foi alvo de criticas nas mídias sociais. A reclamação não foi somente por um ex-policial ir campo, pegar o microfone e fazer entrevistas. No Twitter, muitos internautas protestaram pelo tempo que o ex-policial ficou no ar, gravando matérias e entrando ao vivo na programação da TV Globo.
Tanto que no microblog foi criada a campanha “libertem o Rodrigo Pimentel”. O ex-PM ficou mais de 18 horas seguidas trabalhando no Morro do Alemão. Procurada pela reportagem, a Rede Globo de Televisão afirmou que não irá se pronunciar sobre as críticas do sindicato.

Dia Internacional dos Direitos Humanos

Hoje, 10 de dezembro, é o Dia Internacional dos Direitos Humanos. A bandeira dos Direitos Humanos tem sido mais adequada forma de garantia e promoção de uma sociedade melhor. Ao longo do tempo, com sucessivas superações e ampliação de conceitos, defender os Direitos Humanos tornou-se sinônimo de postura avançada. Ainda que muito se cultivem preconceitos e estigmas contra os defensores de direitos que devem ser garantidos a todos, há uma reprovação social aos críticos dos Direitos Humanos. A aceitação da diversidade, a tolerância, a busca de resoluções não violentas para os conflitos, vão-se tornando parte de uma visão abraçada pelos mais diferentes tipos de pessoas e uma espécie de base civilizatória para os dias de hoje.
Na minha singela opinião, continua havendo diferença entre esquerda e direita (ainda que sejam posições em constante movimento). Porém, o obstáculo praticamente intransponível para uma convivência harmônica com outras pessoas não é a sua posição mais à esquerda ou mais à direita da minha, mas sua posição em relação aos Direitos Humanos.
A Secretaria de Direitos Humanos do Governo Brasileiro publicou um estudo sobre a percepção da opinião pública sobre Direitos Humanos que mercer ser lida. Leia clicando aqui.

Libertação de Sakineh, de furo a barriga

Pois é, diferente do que foi informado por muitos veículos, provocando alvoroço e alegria na rede, a Sakineh ão foi libertada. É bem verdade que, no fim da notícia em vários veículos, havia a observação de que o governo iraniano não havia confirmado a libertação. Mesmo assim, o assunto virou manchete. Muitos dos nossos blogueiros acabaram embarcando e deram como certa a libertação da iraniana. Pra ver como ainda há muitos que acreditam na mídia burguesa.
Minha singela opinião é a seguinte: apedrejamento nem pensar, pena de morte, também. Condenar alguém por adultério é um absurdo. Porém, é preciso considerar que, se ela efetivamente tiver assassinado o ex-marido, deverá cumprir pena. O problema é que ninguém leva muito a sério a justiça iraniana, então, de pronto, achamos sempre que eles estão exagerando.
Torço pela Sakineh e torço pela justiça.