Mostrando postagens com marcador Ana de Holanda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ana de Holanda. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Joyce, Ana de Holanda e os direitos autorais

A discussão sobre direitos autorais no Brasil foge à minha compreensão. É muito complexa. Sendo asism, a gente vai ouvindo quem entende do assunto para formar uma opinião.
Tramscrevo aqui, a opinião da cantora Joyce. Gosto muito da Joyce e acho que a opinião dela merece respeito.

Ana de Hollanda e nossos direitos

Continuam as discussões em torno das questões que cercam o direito autoral. Por incrível que possa parecer - e sei que há gente que lê este blog do outro lado do mundo, em países onde esse tipo de discussão pode até soar meio ridícula - ainda há quem pregue o retrocesso em nome da 'modernidade'. Muderno, para esses, seria o autor voltar à situação de marginalidade em que vivia no início do século XX. O pagamento justo dos direitos do autor foi conquistado duramente na década de 1970, e eu sei porque vi, ninguém me contou. Estava lá quando foi criada a SOMBRÁS, associação civil de compositores que existiu justamente para que essas reivindicações fossem feitas em nome da música, e que serviu para que fosse centralizada a arrecadação de nossos direitos, através da criação do ECAD. Se o ECAD depois se desvirtuou, errou, distribuiu mal, problema nosso, corrija-se. Mas simplesmente achar que acabar com o ECAD é solução é, no mínimo, ingenuidade.

(Agora mesmo houve uma grande reformulação na SGAE, sociedade europeia à qual pertenço, e que atravessava grave crise. Depois de discussões e debates, foi feita uma nova eleição e modificou-se a SGAE, democraticamente. Se vai dar certo ou não, isso veremos. O importante é que em nenhum momento foi proposta a extinção da sociedade. Os espanhóis não são malucos.)

O projeto da reforma do DA tramita no Senado, onde há muitos felizes senadores/proprietários de redes de rádio e TV -  concessões dadas, na maior parte, durante o governo Sarney. Estes são os grandes interessados no não-pagamento dos direitos e dizem isso abertamente, pois contam com a cumplicidade dos mudernos da internet, que, conscientemente ou não, também atendem aos interesses de grandes corporações como o Google. A questão abrange todo tipo de profissional que viva de sua arte, não apenas nós músicos. Todo criador está, no momento, com sua profissão em vias de extinção. Somos todos espécies em risco.

Vejam abaixo a fala emocionada da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, no Senado. E, logo a seguir, um ótimo texto do jornalista Mauro Dias sobre o mesmo assunto.

http://www.youtube.com/watch?v=X0Je0Ou1yyM&feature=youtu.be


 http://migre.me/8XaTG .

sexta-feira, 4 de março de 2011

Opinião tardia sobre o "caso Emir Sader"

Gosto do Emir Sader. Não estou entre os seus cultuadores, mas acho que ele escreve coisas pertinentes.  O que me incomoda é uma certa aura de "guru da esquerda" que acabaou se associando a ele.
Sobre o caso epecífico do desconvite para assumir a Fundação Casa de Rui Barbosa, sei que a blogosfera aguarda ansiosa minha singela opinião, ainda que tardia. Então, lá vai.
Independente do pé atrás que tenhamos com a ministra, não considero adequado um futuro subordinando hierárquico dirigir-se à superior nos termos em que Sader se referiu. Mudando a perspectiva, não considero adequado um superior hirárquico dirigir-se a um subordinado nos termos em que Sader se referiu. Aliás, não considero adequado alguém dirigir-se a um adversário político nos termos em que o professor Emir Sader fez. Tratando-se de pessoas que irão trabalhar em uma mesma área do governo, a situação ainda é mais inadequada. Ou seja, não se pode estabelecer uma relação de confiança política com alguém que expressa uma ideia tão  negativa sobre a gente. Sei que os muitos que se manifestaram contra o desconvite o fizeram por amor ao Emir, mas a situação não é apenas essa. Quantos dos protestantes aceitaria trabalhar com alguém que expressasse a ideia que o professor expressou sobre a ministra? O fato de ter sido na grande imprensa só piora a situação.
Aí vem o outro ponto: "a culpa foi da Folha". Poucos são tão críticos à FSP como Emir Sader. Ele sabia para quem estava falando e que, na maioria das siutações não existe "em off". O Professor dava uma entrevista à FSP e, portanto, deveria estar por dentro das regras do jogo. Autista fora do contexto é tão difícil de imaginar como racista fora do contexto. Sader manifestou-se, com razão e publicamente, contra a manifestação racista de Bornhausen e enfrentou muitas dificuldades por isso. Agora, quer apelar ao ódio à Folha para ressignificar o que disse. Pra mim não colou. 
Ao que parece, as ideias dele não batem com as da ministra, mas a divergência apareceu de modo tangencial, no meio de uma entrevista. Após definida sua desnomeação, Sader argumenta que "o MINC tem assumido posições das quais discordo frontalmente, tornando impossível para mim trabalhar no Ministério, neste contexto". Ora o debate sobre o Minc e as críticas ao rumo dado pela ministra começaram na primeira semana de governo. Sader sabe disso melhor do que eu. Se a discordância com a linha do Minc é motivo suficiente para que ele não assuma um posto no Ministério, já deveria ter dito isso antes, em vez de aceitar o convite.
Sobre a transformação da Fundação Casa de Rui Barbosa como uma "cabeça de ponte" do lulismo, parece que fica por conta da vontade da FSP. A crítica ao modo de implantação dos Pontos de Cultura que Sader fez me parecem pertinentes. Mostra que nem tudo era maravilhoso na gestão anterior do Minc e os problemas que vieram à tona agora não podem ser debitados ao autismo da Ministra.
Continuo gostando do Emir Sader e tendo minhas restrições à Ana de Holanda, mas não deixo de dar minha opinião e achar que ele agiu de modo incoerente. Certamente nada disso aconteceria se Emir Sader tivesse sido escolhido Ministro.