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sábado, 22 de março de 2014

Cerca de 40 pessoas realizam Marcha da Família com Deus em Porto Alegre

De: Sul21

Cerca de quarenta pessoas participaram neste sábado (22), em Porto Alegre, de uma marcha que pedia intervenção militar no país. No ano em que se completa 50 anos do golpe que instalou uma ditadura no Brasil, diversas cidades receberam atos pedindo o retorno das forças armadas ao poder. O evento foi intitulado Marcha da Família com Deus pela Liberdade — o mesmo nome da marcha que antecedeu a derrubada de João Goulart em 1964.

Na capital gaúcha, dentre os presentes estavam cerca de dez homens de cabelo raspado e jaquetas pretas. Em uma delas, podia-se ler a palavra “Carecas” com uma bandeira do Brasil embaixo, provável alusão ao grupo skinhead Carecas do Brasil, que atua no Rio de Janeiro. O cartunista Carlos Latuff foi hostilizado por eles ao fotografar o grupo. De acordo com ele, os homens o ameaçaram e também tentaram impedir outra jornalista e um cinegrafista de captarem imagens suas.
Em contrapartida, cerca de 30 pessoas saíram do assentamento urbano Utopia e Luta para realizar uma contra-marcha em frente ao Comando Militar do Sul, local onde a manifestação foi encerrada. O ato que pedia a intervenção militar saiu da frente da Prefeitura por volta das 15h, e era composto principalmente por adultos e idosos de classe média e alta. A marcha não teve acompanhamento policial.
Foto: Carlos Latuff
Manifestantes adultos e idosos se reuniram no centro de Porto Alegre | Foto: Carlos Latuff
Foto: Carlos Latuff
| Foto: Carlos Latuff
Marcha terminou em frente ao Comando Militar do Sul | Foto: Carlos Latuff
| Foto: Carlos Latuff
Manifestante critica governo federal | Foto: Carlos Latuff
| Foto: Carlos Latuff
Uma das faixas ligava o governo PT com o comunismo | Foto: Carlos Latuff

| Foto: Carlos Latuff
Pequeno grupo não queria ser fotografado. À direita, homem com a palavra “Carecas” na jaqueta | Foto: Carlos Latuff

| Foto: Carlos Latuff
Eles ameaçaram o cartunista, que fotografou o grupo | Foto: Carlos Latuff

terça-feira, 8 de maio de 2012

Justiça condena exploração de crianças no Campeonato Paulista

  Por Amanda Kamanchek Lemos e Luana Lila* de Agência Pública
 
Portuguesa Santista é condenada por uso de jogadores mirins em situação de trabalho precário; 12 meninos de 14 a 16 anos dividiam três colchonetes de casal em apartamento de 40 m2 em más condições de higiene e geladeira vazia

“Para você jogar bem, você tem que se alimentar direito.”  Essa foi a reação de Francisca do Nascimento ao telefone em Marabá ao ouvir o filho M., então com 15 anos,  dizer que faltava comida no “alojamento” montado pelo “olheiro” Ronildo Borges de Souza para os meninos que vieram do Pará para Santos com a promessa de disputar campeonatos paulistas sub-15 e sub-17 vestindo a camisa da “Briosa”, a  Portuguesa Santista, time centenário de segunda divisão do litoral de São Paulo.
Os doze meninos de famílias pobres do Pará foram recrutados pelo conterrâneo Ronildo, que obteve procurações dos pais o habilitando a negociar qualquer tipo de contrato para os garotos, sem, no entanto, transferir-lhe a guarda legal nem fixar condições para que viessem para Santos com o “técnico” com diploma de treinador (em curso de 36 horas de aulas teóricas) concedido pelo Sindicato dos Treinadores Profissionais de Futebol do Estado de São Paulo.
O sonho de se tornar um “Ganso” ou um “Pará”, ambos jovens de famílias humildes de origem paraense, fez bater o coração de pais e filhos e confiar no vizinho que visitava as escolinhas de futebol em busca dos meninos com maior potencial. Hamilton de Abreu, pai de D., conta que Ronildo era conhecido por levar garotos para jogar no Sudeste: “Ele conversou muito bem, mostrou outros jogadores que tinham ido para o Cruzeiro, o Atlético, então a gente confiou”, explica. “Nosso menino queria muito ir, também influenciado pelos colegas, pela promessa de chegar lá e começar a jogar. Como aqui não tem oportunidade, resolvemos deixar”, afirma ele, que via a situação como uma chance do filho realizar seu sonho.

domingo, 16 de outubro de 2011

Indignados desgrenhados x faxineiros arrumadinhos

Aonde vai esse ajuntamento?
Por razões que não vêm ao caso, não pude dar uma olhadinha na(s) caminhada(s) do 15 de outubro. Por conta disso, fico com os depoimentos e imagens de segunda mão. O Sul 21 fez uma matéria interessante sobre o(s) acontecimento(s) - de onde tirei as fotos, que são de Ramiro Furquim. Munido deste relato e de minha fabulosa intuição, vou arriscar minha singela opinião.
Prefiro aquele pessoal meio desgrenhado e gritão, falando mal da esquerda e da direita, do que aquela gente arrumadinha, vestida de preto, reclamando da decadência moral dos outros.
Todos são idiotas, menos o dono do cartaz
Precupam-me os movimentos que repudiam a presença de partidos políticos. Não que nossos partidos sejam grande coisa, mas não são piores que a sociedade em que estão inseridos. Os "indignados" ao menos são, mais tolerantes com a presença dos partidos. Já o pessoal das vassourinhas (que, felizmente, não foram utilizadas na caminhada) adoram dizer que têm nojo da política.
poderia tecer muitos comentários estritamente políticos sobre o 15/10 que, em Porto Alegre, combinou a turma da OAB (representante da categoria mais ética do Brasil) com os herdeiros do maio de 68. Mas prefiro arriscar um chute mais longo. Esses movimentos avessos a partidos e à política do modo como a conhecemos hoje, têm um potencial inovador no discurso e na prática política. São moviemntos que precisam ser acomapanhados e entendidos por quem deseja algum tipo de tranformação nas relações sociais. Todavia, o "autonomismo" de sem pátria, sem patrão, sem partido e tudo o mais que o prenda a algum tipo de institucionalidade, gera um movimento sem efetividade e que, com o tempo, acaba absorvido pelo sistema que eles tanto combatem. Mais ou menos como os yuppies que usam calça jeans, ou outras apropriações da rebeldia da década de 60. Visitem o Democracia Real e conheçam umpouco mais do que esse pessoal tá pensando.
Tenho simpatia pelos indignados. Eles nos ajudam a refletir sobre a coerência entre o que vivemos e o que pregamos e sobre a nossa moralidade. Ao seu modo eles ajudama empurrar o mundo pra frente. Se houver uma outra caminhada dessas prometo que vou assistir.
O que me preocupa são os arrumadinhos vestidos de preto, com nariz de palhaço e de vassoura na mão. Esses se consideram os guardiões da moral. Esses são perigosos. Se houver outra marcha deles, me avisem; vou passar bem longe.