Artigo interessante publicado no site Passa Palavra, apesar da ideia de um Brasil imperialista, o artigo é bastante interessante.
Extrema-esquerda e desenvolvimentismo (7)
A extrema-esquerda brasileira nos anos 1950 viveu entre a sedução nacional-desenvolvimentista e o isolamento revolucionário. Por Manolo
O Brasil vive uma profunda mudança de sua inserção na economia e na política globais. Nunca antes na história deste país se produziu, exportou e investiu tanto, em especial fora das fronteiras – desenvolvendo as empresas transnacionais de origem brasileira. Nunca antes a política externa brasileira foi tão independente – com base na exploração dos recursos econômicos da América Latina e na disputa de mercados e de espaços de investimento em África. Nunca antes o Brasil foi tão engajado – ao ponto de grandes capitalistas apoiarem políticas compensatórias “de esquerda”. Na verdade – e é o que queremos investigar com esta série de artigos – nunca antes o Brasil foi tão imperialista.
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No Brasil da década de 1950 qualquer interessado na construção do socialismo tinha poucas escolhas: tratava-se integrar-se às organizações majoritárias; em caso de descontentamento ou discordância da linha política, as alternativas eram o abandono da militância, a troca constante entre as organizações majoritárias ou a tentativa de construção de alternativas viáveis de militância em alguma das tendências minoritárias existentes.
A mais antiga delas era composta pelos anarquistas. Massacrados desde sempre pela repressão ao movimento operário, mantiveram desde sempre sua posição de recusa à legislação trabalhista e à intervenção nos sindicatos, o que lhes dificultou enormemente a atuação junto ao movimento operário. Embora ao terminar a ditadura varguista os anarquistas publicassem novos jornais como Remodelações (Rio de Janeiro, 1945-1947), O Archote (Niterói, 1947), Aurora (1947), Spartacus (Rio de Janeiro, 1947), Ação Direta (Rio de Janeiro, 1946-1959), O Libertário (1960-1964) e revivessem o velho jornal A Plebe (São Paulo, 1947-1951); embora se organizassem na Juventude Spartacus, na União Anarquista de São Paulo (UASP) e na União Anarquista do Rio de Janeiro (UARJ); embora mantivessem a Nossa Chácara (1939-1964); embora realizassem congressos em 1948 e 1959, com representantes de grupos de Curitiba, Niterói, Campinas, Rio de Janeiro e São Paulo[1]; tudo isto eram atividades de grupos de cultura e preservação da memória[2], longe da enorme influência que tiveram no movimento operário e na própria formação da classe trabalhadora brasileira antes de 1930.