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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Cidades: que sentido terá a “revolução dos aplicativos”?



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Cena do filme “Koyaanisqatsi”, de Godfrey Reggio

Tecnologias permitirão obter cada vez mais dados sobre vida nos espaços urbanos. Para quê: multiplicar autonomia dos cidadãos ou controlá-los? 

Uma nova revolução urbana pode ter começado. Segundo reportagem especial da revista inglesa The Economist, a quantidade de dados que uma cidade produz, combinada com as tecnologias móveis e em rede que permitem compartilhá-los, será tão transformadora quanto foi a eletricidade. Inúmeras inovações já começaram a antecipar este futuro. Podem ser para bem ou para mal.
A ONU calcula que, até 2050, a população mundial urbana será de cerca de 6,3 bilhões de pessoas. Uma parcela sempre crescente dos habitantes urbanos está disposta a compartilhar informações publicamente, como é possível perceber com a popularidade de aplicativos como o Foursquare (que indica o local onde o usuário está e mostra se seus amigos estão por perto). Além disso, prefeituras também concentram dados sobre o que acontece em suas ruas: informações de trânsito, dados sobre fluxos, áreas com mais problemas de segurança etc. Como usar esses dados de maneira que eles façam a experiência de viver em uma cidade ser algo menos caótico, mais sustentável e humano?
Muitas cidades começam programas para tornar-se “smart cities”, como mostra a reportagem. Em Barcelona, por exemplo, há um projeto para inserir, nos postes de luz, telas que indicam lugares para estacionar, filas para museus, cestas de lixo que estão muito cheias e até movimentos “suspeitos” de pessoas. No website de San Francisco (EUA), dezenas de aplicativos informam desde a programação cultural da semana a locais com registros de abuso sexual. Já no Rio de Janeiro, as informações captadas são geridas apenas pela prefeitura: dezenas de operadores vigiam as cerca de 400 câmeras de segurança espalhadas pela cidade, além de denúncias policiais e até previsão do tempo.
Como é possível perceber pelo exemplo carioca, isso traz também um grande problema: a cidade vira um grande panóptico eletrônico, que controla todas as ações de seus cidadãos. E se o governo pudesse, por exemplo, prever protestos que estão para acontecer, e impedi-los? E se isso virasse um mecanismo para excluir ainda mais as classes economicamente empobrecidas? Como imaginar um governo de uma cidade digitalmente integrada que não pareça uma sala de controle de um filme de ficção científica? Outro problema é o fato de que se a cidade é organizada por redes de dados — algo como um “sistema nervoso digital –, é muito possível que crackers consigam invadi-lo e paralisá-lo.
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Saskia Sassen, socióloga da universidade Columbia, é incisiva: segundo ela, para a cidade ser realmente de domínio público, as prefeituras devem tornar públicos todos os seus sistemas de dados. O próprio governo poderia ser uma plataforma, provendo serviços básicos e informações e permitindo que as pessoas pudessem ter mais controle sobre si mesmas.
O sistema dos governos ainda não é transparente, mas os moradores de grandes cidades já podem utilizar a tecnologia e o crowdsourcing (fontes coletivas de informações) a seu favor. Muitos aplicativos para celulares já funcionam desta maneira. O Foursquare, provavelmente o mais conhecido, serve para seus usuários dizerem em quais lugares comerciais (principalmente restaurantes) já foram, e qual sua opinião sobre eles.
Outro exemplo mais interessante é o Colab, criado por brasileiros e eleito pela New Cities Foundation como o melhor do mundo no prêmio App My City. Ele funciona como uma rede social, onde é possível fiscalizar, propôr e avaliar os serviços de uma cidade. Pela rede, o usuário Humberto propõe uma ciclovia em um local na asa norte de Brasília. Já Ticiana confere pontuação de duas estrelas para a Universidade Federal da Bahia. A maioria dos usuários, por enquanto, limita-se a registrar problemas como buracos ou sujeira nas ruas.
Para The Economist, não existe apenas uma maneira de tornar as cidades “inteligentes”, assim como houve diversos modos de levar a elas a eletricidade. O necessário é lutar para que não percamos o controle sobre nossos dados e nossas vidas, e exigir que essa mudança seja em favor das pessoas, e não de empresas ou da vigilância dos governos.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Apple, bonitinha mas (ambientalmente) ordinária?


Por André Trigueiro, no Mundosustentável
Nos Estados Unidos e no Brasil, surgem novos sinais de que empresa recusa-se a assumir compromissos com uso de componentes sustentáveis e com redução e reciclagem do lixo eletrônico

O gênero de resíduos que mais cresce no mundo é o lixo eletrônico, ou seja, pilhas, baterias e tudo o que precise de eletricidade para funcionar (computadores, televisores, aparelhos de som,etc). Os obsessivos lançamentos de novos produtos e o encurtamento da obsolescência programada (equipamentos projetados para durar pouco) são responsáveis por uma “tsunami” de lixo eletrônico que já ultrapassou 50 milhões de toneladas/ano em todo o mundo.
Para reduzir o volume de lixo – e facilitar o reúso ou a reciclagem dos componentes – os Estados Unidos criaram uma certificação ambiental para produtos eletrônicos (EPEAT http://www.epeat.net ) que valoriza, entre outras iniciativas, eficiência energética, maior facilidade para desmontar o equipamento após o descarte e segurança na segregação dos componentes tóxicos.
Segundo reportagem do Wall Street Journal, o Governo dos Estados Unidos exige que 95% dos produtos eletrônicos adquiridos com recursos públicos sejam certificados pelos padrões da EPEAT. Também seguem a certificação grandes empresas como a Ford e HSBC. Duzentas e vinte e duas das mais importantes universidades norte-americanas também dão preferência a computadores certificados pelo EPEAT.
Pois a mesma reportagem informa que um funcionário da Apple avisou, no final de junho ao Diretor Executivo da EPEAT, Robert Frisbee, que a orientação de design da empresa não era mais compatível com as exigências da EPEAT, e que por isso, pediu para tirar da lista de produtos sujeitos à certificação ambiental 39 computadores desktop, monitores e laptops (incluindo alguns modelos MacBook Pro e MacBook Air).
Foi a segunda vez em menos de três meses que a Apple desapontou seus seguidores mais antenados com os assuntos na sustentabilidade. No último mês de abril a empresa apareceu como vilã em um relatório do Greenpeace que avaliou as fontes de energia mais utilizadas pelas gigantes da TI. O relatório “How clean is your cloud?”  informou que mais da metade da energia que mantém a estrutura da Apple funcionando tem origem em combustíveis fósseis, principalmente o carvão mineral.
Completando a onda de notícias ruins que alcançam a maçã de Steve Jobs, um relatório recente produzido pelo Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática da Universidade de São Paulo (USP) avaliou os esforços realizados pelas empresas que atuam no Brasil para recuperar os equipamentos que são descartados como lixo. Pela atual Lei Nacional de Resíduos Sólidos, essas empresas são obrigadas a promover a logística reversa, ou seja, a recuperação desses produtos quando eles são descartados como lixo. A Apple (juntamente com Samsung, Sony, IBM, Proviews e Brother) aparece na lista negra do relatório, justamente entre as empresas que não se prontificam a buscar o resíduo (quando o usuário está pronto para descartá-lo como lixo), nem aceitá-lo quando entregue em uma de suas lojas.
É pena saber de tudo isso depois de já ter um Iphone.
Se a Apple não desmonstrar de forma bastante convicente seu comprometimento com os valores socioambientais, será meu último tablet sabor maçã.
PS: Este espaço está completamente disponível para que a Apple faça as considerações que desejar.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

SBPC: 7. Debate sobre uso dos computadores nas escolas



Os aspectos positivos e negativos do Programa Um Computador por Aluno (Prouca), do governo federal, foram discutidos ontem (24) na mesa-redonda 'Tablets, notebooks e computadores na escola: políticas públicas em debate', realizada durante a 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre em São Luís até sexta-feira (27).

Entre os aspectos positivos, foram ressaltados o aumento da motivação de alunos e professores e o envolvimento de toda a escola e da comunidade da qual ela faz parte com o programa. Quanto aos negativos, destacou-se a falta de sintonia do Prouca com a realidade das redes estaduais e municipais de educação, desconsiderando as diferenças regionais.

O Programa Um Computador por Aluno tem como objetivo ser um projeto educacional utilizando tecnologia e inclusão digital. Para isso, num primeiro momento, foram distribuídos 150 mil laptops educacionais, para estudantes e professores de 300 escolas públicas (urbanas, rurais, estaduais, municipais), das 27 unidades da federação. Além disso, o Prouca forneceu a infraestrutura necessária para acesso à internet e a capacitação de gestores e professores no uso da tecnologia.

Coordenada pelo físico e mestre em Educação, Nelson de Luca Pretto, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a mesa-redonda teve como debatedores Roseli de Deus Lopes, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), e Paulo Gileno Cysneiros, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ambos especialistas no assunto e com experiência no Prouca. Embora os dois tenham abordado os aspectos positivos e negativos do Programa, Roseli deu mais destaque aos primeiros, enquanto Cysneiros preferiu ressaltar os segundos.

Para Roseli, o Prouca possibilita a reorganização de tempo e espaço de alunos e professores, tornando as aulas mais produtivas, e aumenta a colaboração entre docentes, entre estudantes, e entre estudantes e docentes. Mas ela também vê problemas, como descontinuidades e a interrupção ou não formalização de responsabilidades em projetos do Programa. "A falta de manutenção e atualização dos computadores e softwares também prejudica o Prouca", disse. "Há ainda uma excessiva rotatividade de professores nas redes de ensino e interrupção das atividades de formação continuada dos docentes."

Cysneiros, por sua vez, vê problemas tanto nos equipamentos fornecidos pelo Programa como nos professores e gestores encarregados de colocá-lo em prática. "As telas dos laptops são de baixa qualidade e seu funcionamento é lento, a duração das baterias é limitada, há travamento de programas e assistência técnica é precária", criticou. "Quanto aos professores e gestores, a maioria é iniciante em informática, desconhece os software no laptop, não têm conexão com a internet em casa e não dispõem de tempo para estudo na escola e nem interesse para a formação a distância."

(Evanildo da Silveira para o Jornal da Ciência)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Os prisioneiros da Micro$oft


Este texto foi publicado originalmente na Revista A Rede, ano 7, n.74, Outubro 2011
Sérgio Amadeu da Silveira
Em 2007, o presidente da Microsoft do Brasil procurou o embaixador norte-americano em Brasília para acusar o governo brasileiro de fazer uma campanha mundial pela consolidação de um padrão aberto, o chamado Open Documento Format (ODF) . O relato do encontro faz parte dos documentos encontrados no no CableGate, os vazamentos de mensagens trocadas entre o governo norte-americano e suas embaixadas, divulgados pelo Wikileaks.
O Brasil, na gestão do presidente Lula, teve um papel internacional destacado em defesa dos padrões tecnológicos abertos, pela atuação dos seus gestores públicos, pelas contribuições de sua comunidade de software livre e pela enorme competência e dedicação de Jomar Silva, coordenador da ODF no Brasil. Jomar estudou detalhadamente o padrão que a microsoft resolveu definir como aberto e mostrou suas falhas e incongruências técnicas contribuindo decisivamente pela não-aprovação do chamado OpenXML na primeira rodada na ISO (Organização Internacional de Padrões) sobre sua adoção.
A microsoft participou da formulação inicial que gerou o ODF. Entretanto, a corporação de softwares proprietários percebeu que se o mundo tivesse um único formato para a guarda de documentos poderia perder sua base de usuários, pois a interoperabilidade e compatibilidade plena trariam mais competição para os seus produtos. Por isso, rompeu com o ODF e alavancou um padrão chamado Open XML que é um amontoado de especificações do chamado Office da microsoft. A corporação passou a pressionar a ISO para aprovar o OpenXML, pois se o mundo tiver dois padrões, na prática não terá a plena comunicabilidade e assim as técnicas de aprisionamento de usuários da corporação de Seatle estariam preservadas.
Formatos são as definições para o armazenamento de dados digitais. Eles podem ser abertos ou fechados. Um formato é aberto quando: está baseado em padrões abertos; foi e é desenvolvido de forma transparente e de modo coletivo; suas especificações estão totalmente documentadas e acessíveis a todos; é mantido para ser usado independente de qualquer produto ou empresa; por fim, é livre de qualquer extensão proprietária que impeça seu uso livre.
Formatos têm grande poder cibernético, pois delimitam, controlam, bloqueiam, aprisionam e criam dependências. Daqui dez anos conseguiremos ler um texto escrito em um papel, mas será que conseguiremos ler um texto guardado em um formato proprietário feito por um software específico? Será que conseguiremos abrir um arquivo de som armazenado em um formato controlado por uma única empresa? E se a empresa descontinuar o formato? Perderemos nossa memória digital?
Existe uma grande diferença entre a “leitura direta” e a “leitura dos formatos”. Esta última exige a intermediação de softwares. Por isso, precisamos de formatos que sejam seguidos por todos e que permitam que diversos softwares possam abri-los. Desse modo, estaremos livres para usar o programa de quisermos para salvar e abrir nossos arquivos.
Em abril de 2010, o então líder da Apple, Steve Jobs, escreveu um texto explicando que Apple não utiliza o formato flash exatamente para não ficar aprisionada a empresa Adobe. Nele, Jobs afirma que “os produtos Flash da Adobe são 100% proprietários. Eles só estão disponíveis a partir da Adobe e a Adobe tem autoridade exclusiva sobre a sua valorização futura, preços, etc.”
No mesmo texto Jobs alerta que “embora os produtos Flash da Adobe estejam amplamente disponíveis, isso não significa que eles sejam abertos, pois eles são controlados totalmente pela Adobe e estão disponíveis somente a partir do Adobe. Por basicamente qualquer definição, o Flash é um sistema fechado.” Jobs sabe que o padrão aberto é o que garante a liberdade de criação e de ação de usuários e de desenvolvedores. Padrões fechados colocam os usuários em prisões lógicas que os tornam completamente dependentes dos desenvolvimentos das empresas que os dominam.
A microsoft é uma das empresas que apostam no aprisionamento dos usuários e não na competitividade de seus produtos. Por isso, sua mais recente cartada de aprisionamento foi anunciada por seus dirigentes para o lançamento do Windows 8. A corporação de Seatle exigirá que as empresas de hardware vendam seus computadores com as instruções de inicialização, a BIOS, criptografadas. Assim, será improvável que um usuário comum possa desinstalar o Windows, instalar o GNU/Linux, o FreeBSD, OpenBSD, e até usar o dual boot, ou seja, os dois sistemas operacionais na máquina. Os estrategistas da microsoft chamam isto de “Trusted Computing” que em protuguês pode ser traduzido por “computação confiável”. Para quem? Confiável para a microsoft tentar manter os computadores de seus usuários aprisionados a seus formatos proprietários. Liberte-se!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Fundado o Partido Anti PowerPoint

Por Daniel Pavani: Geek.com.br


Começou na Suíça um movimento a fim de acabar com as apresentações em softwares como o PowerPoint, da Microsoft. De acordo com o partido criado, este tipo de apresentação está tendo um impacto bastante negativo na economia do país e do mundo, e eles pedem a volta da utilização de cartazes de papel.
O Anti-Power Point Party (anti-powerpoint-party.com), ou o Partido Anti-PowerPoint (PAPP), acredita que a utilização de softwares deste tipo prejudicam a economia, não apenas da Suíça, mas do mundo todo. Vale destacar apenas que o grupo deixa claro que a “luta” não é contra o PowerPoint, apenas, mas sim contra todo e qualquer software de apresentações.
O PAPP espera representar os interesses de 500 mil suíços e também de mais de 250 milhões de pessoas do mundo todo. Estes interesses estão relacionados com os prejuízos, tanto econômicos quanto de produtividade, do uso de softwares de apresentação.
A ideia é simples. O partido acredita que as apresentações em PowerPoint causam desmotivação nas pessoas, diminuindo sua participação e atenção, o que gera perdas econômicas. Um cálculo do PAPP indica que o mundo já perdeu mais de € 350 bilhões, ou cerca de R$ 750 bilhões.
O próprio partido afirma que a sua intenção é levar a “questão do PowerPoint” para o mundo todo. De acordo com o grupo, o uso de softwares deste tipo transforma as apresentações em “coisas chatas”, que as pessoas não vêm a hora de acabar. O PAPP pretende propor um referendo para a proibição do uso do PowerPoint, entretanto, não para necessariamente proibir seu uso, mas apenas para levar a questão à atenção da população.
Da mesma forma, a ideia não é acabar com o software, mas apenas com as restrições (de empresas e escolas, por exemplo) ao uso de outros meios, como cartazes de papel ou mesmo as velhas e eficientes transparências. O PAPP defende o uso dos cartazes, afirmando que eles têm um potencial muito maior de prender a atenção.
Outro fato interessante é que o PAPP espera ser o quarto maior partido do país, passando os sociais democratas, que hoje contam com cerca de 33 mil partidários. Atualmente, porém, os partidários contra o PowerPoint são apenas 212. A ideia é já participar das eleições de 23 de outubro de 2011, buscando conseguir pelo menos alguma cadeira no parlamento suíço.