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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Morreu Eric Hobsbawm!

Faleceu hoje, 1º de outubro, o historiador Eric Hobsbawm. Lamentável, mas a hora chega para todo mundo.
Formado nas sendas do "materalismo histórico", Hobsbawn não ficou preso a esquemas dogmáticos de interpretação da realidade.
Autor de obras históricas de fôlego,atualmente, Hobsbawm dedicava-se a escrever artigos mais curtos e conceder entrevistas analisando a complexa realidade do mundo de hoje pela ótica do historiador. Marxista consagrado, não agradava à direita e ao buscar a interpretação da realidade sem a ideia da "missão histórica do proletariado", passou a não agradar certa esquerda mais preocupada em provar que Marx estava sempre certo do que em ser marxista de acordo com a realidade concreta do mundo de hoje.
Foi-se Hobsbawm e não me parece haver nenhum historiador vivo com sua estatura moral e intelectual.
Leia uma significativa e recente entrevista do historiador AQUI

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Eric Hobsbawm e as revoltas globais de 2011

A classe média foi a grande protagonista e força motriz das revoltas populares e ocupações que marcaram o ano de 2011. 

Esta é a opinião de Eric Hobsbawm, o mais importante historiador em atividade, aos 94 anos de idade.

Para Hobsbawm, protagonismo da classe média marca revoltas de 2011
 
Andrew Whitehead: Serviço Mundial da BBC

Em entrevista à BBC, o historiador marxista nascido no Egito, mas radicado na Grã-Bretanha, afirma ainda que a classe operária e a esquerda tradicional - da qual ele ainda é um dos principais expoentes - estiveram à margem das grandes mobilizações populares que ocorreram ao longo deste ano.
''As mais eficazes mobilizações populares são aquelas que começam a partir da nova classe média modernizada e, particularmente, a partir de um enorme corpo estudantil. Elas são mais eficazes em países em que, demograficamente, jovens homens e mulheres constituem uma parcela da população maior do que a que constituem na Europa'', diz, em referência especial à Primavera Árabe, um movimento que despertou seu fascínio.
''Foi uma alegria imensa descobrir que, mais uma vez, é possível que pessoas possam ir às ruas e protestar, derrubar governos'', afirma Hobsbawm, cujo título do mais recente livro, Como Mudar o Mundo, reflete sua contínua paixão pela política e pelos ideais de transformação social que defendeu ao longo de toda a vida e que segue abraçando aos 94 anos de idade.
As ausências da esquerda tradicional e da classe operária nesses movimentos, segundo ele, se devem a fatores históricos inevitáveis.
''A esquerda tradicional foi moldada para uma sociedade que não existe mais ou que está saindo do mercado. Ela acreditava fortemente no trabalho operário em massa como o sendo o veículo do futuro. Mas nós fomos desindustrializados, portanto, isso não é mais possível'', diz Hobsbawm.
Hobsbawm comenta que as diversas ocupações realizadas em diferentes cidades do mundo ao longo de 2011 não são movimentos de massa no sentido clássico.
''As ocupações na maior parte dos casos não foram protestos de massa, não foram os 99% (como os líderes dos movimentos de ocupação se autodenominam), mas foram os famosos 'exércitos postiços', formados por estudantes e integrantes da contracultura. Por vezes, eles encontraram ecos na opinião pública. Em se tratando das ocupações anti-Wall Street e anticapitalistas foi claramente esse o caso.''

À sombra das revoluções

Hobsbawm passou sua vida à sombra - ou ao brilho - das revoluções.
Ele nasceu apenas meses após a revolução de 1917 e foi comunista por quase toda a sua vida adulta, bem como um autor e pensador influente e inovador.
Ele tem sido um historiador de revoluções e, por vezes, um entusiasta de mudanças revolucionárias.
O historiador enxerga semelhanças entre 2011 e 1848, o chamado ''ano das revoluções'', na Europa, quando ocorreram uma série de insurreições na França, Alemanha, Itália e Áustria e quando foi publicado um livro crucial na formação de Hobsbawm, O Manifesto Comunista, de Marx e Engels.
Hobsbawm afirma que as insurreições que sacudiram o mundo árabe e que promoveram a derrubada dos regimes da Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen, ''me lembram 1848, uma outra revolução que foi tida como sendo auto-impulsionada, que começou em um país (a França) e depois se espalhou pelo continente em um curto espaço de tempo''.

Historiador diz que revoluções no mundo árabe tomaram rumo inesperado
Para aqueles que um dia saudaram a insurreição egípcia, mas que se preocupam com os rumos tomados pela revolução no país, Hobsbawm oferece algumas palavras de consolo.
''Dois anos depois de 1848, pareceu que alguma coisa havia falhado. No longo prazo, não falhou. Foi feito um número considerável de avanços progressistas. Por isso, foi um fracasso momentâneo, mas sucesso parcial de longo prazo - mas não mais em forma de revolução''.
Mas, com a possível exceção da Tunísia, o historiador não vê perspectivas de que os países árabes adotem democracias liberais ao estilo das europeias.
''Estamos em meio a uma revolução, mas não se trata da mesma revolução. O que as une é um sentimento comum de descontentamento e a existência de forças comuns mobilizáveis - uma classe média modernizadora, particularmente, uma classe média jovem e estudantil e, é claro, a tecnologia, que hoje em dia torna muito mais fácil organizar protestos.''
 

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Marxismo hoje: Beppe Grillo entrevista Hobsbawm, 94


Esse blog entrevistou Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores europeus vivos, e marxista. A entrevista aconteceu no dia de seu 94º aniversário, quando esteve em Roma para o lançamento da tradução italiana de seu livro How to Change the World - Why rediscover the inheritance of Marxism. Hobsbawm analisa a possibilidade de uma deriva rumo à direita nos próximos anos na Europa, por razões conectadas à depressão econômica, à ânsia por segurança e à estagnação da União Europeia, arcada sob o peso da obrigação de ser cada vez maior e maior e pela falta de visão política comum. Além disso, os grupos militantes desenvolvem-se mais em regiões onde haja maior número de jovens – por exemplo no norte da África e nos países em desenvolvimento, não na Europa.
 
E Hobsbawm – que se apressa a esclarecer que é historiador, não futurólogo – fala sobre o que o marxismo passou a ser em nossos dias e os efeitos da mudança.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

"Revolução de 32", ou reação das elites?

Hoje é feriado em São Paulo. Os paulistas não trabalham para comemorar... Comemorar o quê? Comemorar a derrota da reação da elite paulista à derrubada da República Velha? Se o movimento de 30 não foi uma revolução, o de 32 muito menos.
A elite paulista mobilizou a si e ao povo para tentar evitar as mudanças institucionais que puseram fim ao poder da oligarquia cafeeira. Até hoje, já como um fato cultural, a dita "Revolução Constitucionalista" acende a auto-estima paulista, promovendo, como é comum em situações desse tipo, a construção de uma identidade acima das diferenças de classe e culturais. Enfim, bem no espírito da "invenção das tradições" de que nos fala Hobsbawn.
Cada elite inventa a tradição que mais lhe convém. Afinal, nõs, sul-riograndenses, não comemoramos a derrota dos farrapos? Volto a esse assunto lá pelo dia 20 de setembro.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mais uma vez Hobsbawm

Aos 92 anos, o historiador britânico Eric Hobsbawm continua um feroz crítico da prevalência do modelo político-econômico dos EUA. Para ele, o presidente americano Barack Obama, ao lidar com as consequências da crise econômica, desperdiçou a chance de construir maneiras mais eficazes de superá-la.
"Podemos desejar sucesso a Obama, mas acho que as perspectivas não são tremendamente encorajadoras", diz, na entrevista abaixo. "A tentativa dos EUA de exercer a hegemonia global vem fracassando de modo muito visível."
Hobsbawm discute ainda questões globais contemporâneas --como as tentativas de criar Estados supranacionais, a xenofobia e o crescimento econômico chinês-- à luz do que expressou em livros como "Era dos Extremos" e "Tempos Interessantes" (ambos publicados pela Cia. das Letras). 
Vale a pena ler. Clique aqui.